sexta-feira, 15 de junho de 2007

Acordei eram dez horas da noite. Tinha sido um dia cansativo, quente, intediante. Eu havia perdido a aula, não tinha feito meus trabalhos, ainda me sentia um pouco enjoado da bebida da noite anterior. Pensei no que havia ocorrido durante a tal festa da noite passada. Não me lembrava de nada. Um pouco suado tomei coragem e levantei-me da minha cama, só de cueca fui até o banheiro. Não havia ninguém em casa, o cachorro pulava nas minhas pernas. Fui até a sala liguei o som alto, não me lembro ao certo à música, mas era algo entre rock e música clássica. Em direção ao banheiro me vinham pequenas lembranças da noite anterior, algumas pessoas rindo, outras vomitando, mas ao certo não sabia de verdade o que havia acontecido. Antes de entrar no banheiro ainda passei em meu quarto, dei uma olhada no celular. Ninguém havia me ligado. Fui para o banho. Frio. Fiquei ali sentado por uma meia hora, senti me enjoado. Enfiei o dedo na garganta, mas não adiantou, segui sentindo me mal. Sentei-me no Box e deixei a água cair. Depois de um tempo desliguei a água. Sai do chuveiro e, ainda molhado fui em direção ao meu quarto. Vesti uma samba canção, uma bermuda velha e deitei-me novamente. O quarto estava escuro, o calor continuava infernal. Pensei então em ligar para algum amigo, mas um cigarro pareceu me mais interessante. Fiquei ali, deitado, fumando. De repente tocou meu celular, era um número desconhecido. Naqueles pequenos segundos enquanto o celular tocava me vieram pensamentos do tipo: “será alguém chato que está me procurando, ou, pode ser alguém que eu nem conheça, mas que eu possa marcar um encontro pelo celular”. Acabei não atendendo. Desliguei o telefone e fui até a cozinha. Havia na geladeira apenas alguns restos de comida, frutas, leite, mas nada que parecesse interessante. Peguei um copo enchi de gelo e fui até a sala. Uma dose de Whisky, era disto que eu precisava. Sentei me na sacada, olhava algumas pessoas passando na rua e vagava em pensamentos tais como: olha que bunda, que roupa mais brega, que inveja, que nojo. Não fiquei ali sentado nem quinze minutos. O gelo todo já havia derretido. Num só gole, então, tomei o que restava no copo. Passando pela sala, olhei por cima da mesa para ver se não encontrava as chaves do carro. Não encontrei. Minha mãe havia saído. Havia apenas um bilhete dizendo:

- Sai para jantar com algumas amigas. Tem dinheiro para você no meu quarto, no lugar de sempre.

Coloquei o bilhete em cima da mesa e imaginei por breves instantes como seria uma reunião de amigas. Quando voltei deste pequeno pensamento, já me dirigia ao quarto de minha mãe. Chegando lá havia dez reais em cima da cama. Irritado pela escassez de dinheiro fui até o meu quarto, liguei meu celular e disquei para minha mãe. Ela atendeu o celular dizendo algo como:

- Meu filho tudo bem?

Respondi meio irritado:

- Lógico que não. O que você espera que eu faça com dez reais?

Ela então disse que havia me ligado algum tempo atrás para me entregar mais dinheiro e que eu não havia atendido, mas agora infelizmente ela já havia ido para outra cidade com suas amigas. Desliguei o telefone na cara dela. No meu quarto ainda irritado abri minha carteira de cigarros, havia apenas mais um. Naquela altura eu só queria voltar a dormir, mas era sábado, já passava da meia noite, precisava fazer algo, beber, fumar, transar, só não queria ficar em casa. Liguei para um amigo, nem lembro qual, só disquei para um dos primeiros números da minha agenda, juro, que na hora cheguei a pensar, que se o número estava no início, no mínimo era por que devia ser importante. O nome era Alex, realmente não lembro hoje de nenhum amigo com este nome. Quem atendeu foi uma garota, que só disse que ele não podia falar no momento.

Já irritado apenas vesti uma roupa qualquer. Calcei meus tênis, peguei celular, carteira chave essas coisas, e fui para a sala. Lá, antes de sair, catei umas moedas que dariam para o cigarro. Sai do apartamento e peguei o elevador. Morava no décimo quinto andar. Descendo o elevador, fiquei apenas pensando no que poderia fazer, aonde ir. O elevador então para no oitavo andar interrompendo meus pensamentos. Entra um senhor de meia idade e noto que ele fica me olhando. Fiquei com muito nojo. Mas resolvi aproveitar-me da situação. Cumprimentei-o, dei um sorriso envergonhado e perguntei para onde ele ia. Ele se achando o dono da situação disse que ia sair para agarrar umas gatas e tomar uma cerveja. Perguntei então, se não podia dar-me uma carona para qualquer lugar, só não queria fica ali. O velho prontamente respondeu que sim. No caminho conversamos sobre tabus: sexo, mulheres e futebol. Paramos em um posto de gasolina, dando a desculpa de que minha mãe havia viajado e de que tinha ficado sem dinheiro pedi-lhe que me pagasse alguma bebida e comprasse-me um cigarro, novamente o velho sem hesitar atendeu ao meu pedido. Á essa altura eu só me divertia, o velho parecia querer pular em cima de mim e eu seguia fingindo-me de inocente. Sugeri então que fossemos a um lugar onde serviam uma comida ótima e onde havia garotas dançando. Chegando lá comi algo do tipo: caviar, lagosta, não lembro. Não lembro na verdade nem de haver gostado, mas era o prato mais caro do lugar. Por volta de uma e meia da manhã o velho já estava muito bêbado e não parava de colocar dinheiro no sutiã das dançarinas, enquanto, fingindo que nada acontecia, passava as mãos por minhas pernas embaixo da mesa. Nesta hora vi que tinha que ir embora, ou dar um jeito de me livrar daquele cara. Pedi então mais uma dose de uma bebida que parecia muito forte e fiz com que o velho bebesse. Antes mesmo de a dose acabar ele já estava quase desmaiado. Pedi então para uma das dançarinas que o levasse para um quarto e que, por favor, tirasse a roupa dele. Peguei a carteira do bolso dele, paguei o que havíamos bebido e peguei para mim mais uns cem reais. Pouco dinheiro perto do que havia sobrado na carteira do velho. Pedi a garota então que lhe dissesse que tive que sair mais cedo e lhe entregasse a carteira e um bilhete agradecendo-o pela noite maravilhosa. Sai do lugar esse e dirigi-me a um bar ali perto onde parei para tomar uma cerveja e pensar o que poderia fazer agora que tinha dinheiro. Enquanto tomava minha cerveja me liga uma garota dizendo que quer fazer algo, que está louca por mim, e que precisa me ver. Não deu outra, peguei um táxi até um endereço qualquer que ela me deu. No caminho, passando perto da boate que havia estado com o velho vi o carro batido e a polícia em volta cobrando explicações do meu vizinho que parecia, agora, muito nervoso. Fiquei rindo de dentro do táxi sabendo que ele não poderia dizer nada sobre mim, pois estaria se prejudicando.

O táxi andou um tempo, enquanto isso eu apenas observava algumas pessoas nas ruas. Todas se drogando, prostituindo-se. Sem ironias, aquilo me enojava. O táxi parou então em frente á um bar sujo, velho e cheio de pessoas, bar esse, que se encontrava em meio a uma sucessão de mais uns trinta barzinhos iguais. Meio perdido sem nem saber ao certo quem encontraria, sentei-me e acendi um cigarro. Repentinamente uma garota senta no meu colo e começa a beijar-me. Eu sem reação, apenas deixei rolar. Depois de um tempo ela parou. Olhei fundo nos olhos dela. Inebriado do álcool demorei a conhecer. Mas não havia erro. Era a namorada do meu irmão. Ela me olhava. Eu apavorado a empurrei e gritei. Ela disse para ficar calmo, e que sempre gostou de mim, que iria terminar com meu irmão. Fiquei transtornado e sai caminhando na multidão pensando no que havia feito. Havia passado todo o efeito do álcool. Agora só pensava no que dizer para o meu irmão. Caminhava rápido e sem olhar para os lados, apenas rápido sem saber para aonde ia. Imaginava alguma explicação sensata. Mas algo do tipo:

- Ela me agarrou, não foi culpa minha, não parecia muito sensato naquela hora.

Entre meus devaneios e pensamentos esbarro em alguém e apenas sinto a cerveja escorrendo na minha roupa. Sem raciocinar, já morrendo de raiva, num impulso instantâneo, acertei um soco na cara do garoto que havia esbarrado em mim. Nisso, alguns caras de trás vieram para cima dele, outros para cima de mim e perdido já naquela briga toda, apenas distribui alguns socos e consegui sair sem machucar-me. Já perto das quatro da manhã, desistindo da noite fracassada, resolvo ir a uma lancheria. Entrando lá, vou direto ao banheiro, onde tenho que urinar em uma lata de lixo, pois a privada está estragada. Na verdade não lembro nem o por que de ter entrado naquela lancheria. Apenas entrei, pois parecia tranqüila, e era isso que eu precisava: tranqüilidade.

Saindo do banheiro vejo meu irmão e a namorada entrando na lancheria. Eu tento fingir que não os vi. Mas meu irmão veio direto em minha direção me abraçando e dizendo que eu andava sumido, essas coisas. Eu apenas retribui com um sorriso nervoso e envergonhado. Ele então me convidou para sentar e comer algo, eu cheio de desculpas tentei fazer de tudo para não ficar, mas acabei cedendo. Sentamos. Eles pediram um refrigerante, e eu, naquela hora, precisava tomar mais uma cerveja. Alguns minutos ali sentados chega uma garota muito linda e senta-se com a gente. Era uma amiga do meu irmão. Somos apresentados, e novamente envergonhado, mas não tão nervoso retribuo o sorriso. Conversa vai, conversa vem comecei a ficar mais tranqüilo. Tudo parecia normal, e não tinha o por que do meu irmão saber do ocorrido. Na mesa, Débora, namorada de meu irmão estava sentada ao meu lado, Roger meu irmão estava na frente dela e Lívia, aquela garota linda, que me tinham apresentado estava sentada na minha frente. Pedi mais uma cerveja, ríamos todos, estava divertido, Lívia e eu trocávamos olhares, lembro que na hora eu pensava que mais alguns instantes ali e eu a levaria para a cama. A garçonete passa. Por alguns instantes olhei para aquela figura. Ela estava cansada. Carregava uma grande quantidade de pedidos. Não me lembro nem ao certo o motivo de ter me abstraído da conversa por completo, mas por alguns instantes aquela garçonete me parecera mais interessante. Em meio aquele monte de pedidos caíra um guardanapo no chão quase que em câmera lenta, ou talvez no tempo em que duravam meus pensamentos. Abaixei-me para pegar. Outro instante de eterno durar. Em baixo da mesa aquela menininha perfeita: Lívia. Estava com as mãos dentro da calça do meu irmão. Novamente me subiu um enjôo e apenas sai correndo para o banheiro onde vomitava naquela privada imunda com excrementos de outras pessoas. Lembro-me de na hora nem sentir me mal em relação à bebida, mas o fato de ter visto aquela cena realmente me tinha feito vomitar. Enquanto pensava logo os três apareceram. Débora segurava minha cabeça e cuidava para que eu não me sujasse. Lívia e meu irmão apenas olhavam. Entre vômitos e pensamentos lembro-me apenas de mais uma cena dentro da lancheria. Quando começava a recuperar-me olhei para trás para ver quem estava ali. Enquanto Débora segurava meu cabelo atenciosamente, a única coisa que me recordo de ter visto foi à mão de meu irmão passando por dentro da saia de Lívia. Voltei a vomitar. Quando acordei estava dentro de uma ambulância. Olhei em volta, não havia ninguém. Lembro que a luz me parecia muito forte, resolvi então fechar os olhos. No caminho para o hospital recordo-me de que sentia cada curva que a ambulância fazia, escutava algumas pessoas sentadas na frente conversando sobre alguma final de campeonato e de sentir uma dor em meu braço. Tentei olhar o que havia em meu braço. Desisti. Sabia que era uma agulha. Voltei a dormir. Perto das sete da manhã acordei em um leito de hospital onde havia no mínimo mais umas quinze pessoas num espaço de dez metros quadrados. Chamei aquilo que parecia ser uma enfermeira. Ela veio até mim. Perguntei-a se poderia me dar alta. Ela riu. E lembro me perfeitamente de ter dito rindo:

- Com o que eu ganho, dando alta. Eu sou uma simples auxiliar.

Mas devido ao fato da superlotação e de eu já estar me sentindo bem, apenas assinei alguns papéis e sai daquele lugar. Nos corredores do hospital amontoavam-se pessoas de todos os tipos. Por instante pude ver o garoto que me derramara cerveja, deitado em uma das macas, bastante machucado. Senti me envergonhado. Mas segui caminhando pelo corredor. O hospital parecia interminável, quanto mais eu caminhava mais pareciam aumentar os gritos e aglomerações. De repente. A porta. Ao sair na rua o mundo parecia ter parado por alguns instantes. Tudo ficou mais tranqüilo, mesmo que por breves instantes. A esta altura eu só queria voltar pra casa. Peguei um táxi. Foi outra daquelas viagens. Mas agora, aquelas pessoas na rua, pareciam me respeitosas, pois, ao contrário de meu irmão, minha cunhada, Lívia, meu vizinho e inclusive de mim elas estavam ali e todos sabiam o que estavam fazendo. Senti me um hipócrita. Nesta hora sim, só queria a minha cama. Chegando no meu apartamento paguei o taxista. Desci do carro e fui em direção ao portão do prédio. Não sei ao certo que horas eram, mas lembro me de ter visto o velho meu vizinho saindo com seu outro carro e despedindo-se feliz da esposa. Subi no elevador. Parei no meu andar. Abri a porta. Em direção ao meu quarto, passo pelo do meu irmão, onde com a porta entreaberta posso vê-lo transando com sua namorada. Um pouco decepcionado, vou para o meu quarto. Acendo um último cigarro e me deito em minha cama. Algumas cinzas caem no chão. Alguns raios de sol entram pelo quarto. Alguns carros começam a trafegar nas redondezas do prédio. O dia está começando e tudo tem que voltar ao normal. Só me lembro então de ter acordado perto de dez da noite novamente.







Nâo há muito mais o que dizer, a libido e a falta de carater exalam do meu ser. Só depressão não me basta. O lado podre fica guardado.
Hoje veio.
^^

2 comentários:

Rodrigo Monteiro disse...

gosto mais quando vc escreve mais em menos

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.