quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Olho de Boi

Após uma semana intensa, repleta de inúmero debates, conversas, conhecendo novas pessoas, eu tive algum tempo de reflexão e percebi como é escassa a oportunidade de assistir e de ter contato com filmes e cineastas de influência, atualmente, no país.
É como estar um pouco a margem Infelizmente, por não estarmos no foco cinematográfico, deixamos passar muito do que é o atual cinema brasileiro.
Assim sendo, venho aqui demonstrar minha surpresa com a qualidade de parte dos filmes atuais que vem sendo realizado, dentre eles os selecionados no Festival de Cinema De Gramado.

Todavia, minha maior dúvida é após assistir esse filmes, tentar criticar, e talvez não demonstrar o mínimo embasamento para poder julgá-los. Terei eu lido os livros que devia, visto os filmes certos, para poder julgar de forma tão rude?
Não sei de fato se é injustiça pela incapacidade crítica, ou um mérito por estar julgando como mero espectador, deixando fluir o que há de empírico, sentimental.


Olho de Boi, portanto, na seqüencia dos filmes analisados, surge com uma temática diferenciada, ainda que manjada. É a clássica história de Édipo Rei, transposta para o interior de Minas Gerais, com um sotaque indefinido de um nordeste em qualquer lugar do país.
A cena inicial do filme já instiga ainda que estranhe o espectador.
É uma imagem de tio e sobrinho, futuramente explicitados como pai e filho, no olho de um boi.
Já de início o mal gosto estético surge num efeito digital de inserir a imagem no olho do boi.
Após isso vamos então para o abate. O boi, morre em meio a uma imensidão branca, na qual apenas ouvimos seu grito de dor em mistura ao som de trovões, somos então conduzidos por um fade, diretamente a uma tempestade, onde os personagens Modesto(Pai, e Padrinho) e Cirineu(Filho e Afilhado), andam pela mata procurando por um lugar para habitar.
Devido à forte tempestade, os personagens se vêem frente a uma igreja, e acabam obrigando-se a entrar no lugar. Lá sabemos das intenções dos personagens, e descobrimos que Modesto pretende matar seu irmão, pois seu afilhado Cirineu, garante a traição do irmão.
Aí então estamos postos dentro da estética, da história e da proposta do diretor.
É uma peça teatral, com diálogos pesados e discussões encenadas que dão lugar a narrativa. A arte passa então a exercer uma função também teatral, uma fotografia que desliga o espectador e planos maçantes, que não fora a proposta, apenas entediariam mais o espectador.
Creio que na verdade esta é minha opinião. Reconheço que como proposta estética, pode-se até procurar algum recurso interessante de linguagem que talvez convença algum tolo. No entanto, acabaria por enquadrar este filme na lista das tentativas inóspitas.
Há uma tentativa grandiosa de compor bons quadros, mas à todo momento há a impressão de que um fresnel entrará em quadro, de que uma vela, não teria tamanha incidência de luz. A fotografia é mais que teatral, é de mal gosto. Proposta estética, normalmente termina por explicitar-se, mas neste caso é uma tentativa de fazer algo bom, da pior forma possível.
No caso da arte, aí então me surgem mais dúvidas. Após dois minutos dentro da igreja, fugidos de uma tempestade muito forte, os personagens estão completamente secos. Alguns novamente podem dizer ser a proposta na minha opinião, desleixo.
Nesse ritmo segue o filme todo, luzes inverossímeis, que desligam o espectador da narrativa. Uma arte buscando ser verossímil, mas que peca a cada quadro.
O diálogo, quase insustentável, não fora a atuação dos personagens é que permite algum valor ao filme.
As atuações parecem ser o único viés aceitável do filme, não fora por Gustavo Machado (melhor-ator no festival de gramado), e pelo ator Genésio de Barros, a história seria inviável. O final ainda que surpreendente e instigante não compensa pela inconsistência geral da obra.

Uma opinião talvez um pouco exagerada, mas na minha opinião, exagero por exagero, maior seria fazer um filme tão impreciso para público algum.
Talvez uma peça teria sido mais assistida.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Suely Y Evo

O dia começou com o céu. Analogias a partes, lá estava o filme O céu de Suely, infelizmente apenas na mostra, sem entrar em competição.
Venéreo, tocante, intrínseco. O drama de uma garota pobre que está voltando de São Paulo, para sua cidade de origem no interior do recife e é abandonada pelo namorado, que promete voltar consigo para sua cidade e acaba deixando-a sozinha cuidando de uma filha.
Suely é apenas um nome inventado pela personagem Hermila, que pela falta de dinheiro, vende uma rifa oferecendo-se como recompensa.
Difícil para mim, nessas ocasiões, é descrever ou elogiar o filme sem parecer piegas.
Sendo incoerente, deixo me entregar ao puro deleite estético, e nego me a procurar algo no filme que o desmereça como obra.
É incondizente não perceber no filme, sua simplicidade, sua arte quase neo-realista, a fotografia árida, a direção tão bem composta que surge quase imperceptível.
Talvez alguns achassem conivente negar todos estes pressupostos, e dizer que é um filme comum, que volta mais uma vez a pobreza nordestina e tenta publicizar a desgraça brasileira.
No entanto, isso apenas representaria a ignorância atual da distribuição no Brasil. É a estúpida tendência de tentar inovar em linguagem e narrativa, quando não há se quer um cinema sendo feito, quem o diga assistido.
Uma última pausa antes de ar vazão aos demais filmes, preciso realçar a inteligência do drama no filme mencionado e a capacidade de atuação da atriz de mesmo nome, Hermila Guedes.
Uma boa cena de drama, poderia incentivar ao melodrama do pior tipo, mas quando nos pegamos chorando, as lágrimas, enquanto a atriz come um prato de macarrão, sabemos de fato que o diretor sabe, como conduzir o espectador ao extremo de sua essência, ou no mínimo saímos nos sentindo um pouco idiotas tentando esconder a cara de choro.
Um filme chocante da forma mais simple possível, uma imensidão de escolhas sem retorno, de decisões com consequências desmedidas, o tipo de filme que te causa aquela sensação besta de olhar os créditos até o fim, e se enxergar olhando para a tela branca, chocado com tamanha inteligência.



Em seguida veio o "Cocalero", o segundo filme do dia. Um documentário inocente, sem pretensões. O documentário mostra a vida dos Cocaleros na Bolívia e de como o índio Evo Morales, chegou a presidência do país.
É um documentário, com um viés mais televisivo, apelativo em alguns momentos, mas que ainda assim, gera interesse, devido a parcialidade do filme.
Em momento algum tempos picos de incentivo socialista, tanto quanto não beneficia-se a direita.
É uma documentação de um povo que lutou por seus direitos, mas que apresentava riscos devido a sua ignorância.
Algumas partes são surpreendentes, como quando temos uma classe média discursando contra o candidato Evo. Este momento beira a graça, pois, representa a ignorância que só mesmo a classe média possui, a de ainda confiar nos poderosos, e achar que os pobre são ruins. É aquele momento, onde o cidadão médio cegado pelas 10 horas de trabalho diário e um salário medíocre, acredita que o presidente está ao seu lado, ou se não esta, não tivera, poderia ser pior.
Todavia, há os momentos onde entregar a presidência á um Índio soa alarmante, a governadora do partido, sabia se quer trabalhar com uma calculadora.
Evo é o atual presidente da Bolívia e institui algumas leis que subsidiam o aproveitamento das leis naturais da Bolívia e têm gerado uma diversidade de empregos. Cá, com o homem de nove dedos, não temos dado muito certo.
Acabei me pendendo pro lado político, e acabei por não mencionar que o filme chama-se "Cocalero", pois fala de uma imensidão de trabalhadores que trabalham, com a folha de Coca e vendem-a para a fabricações, de ervas, remédios e produtos naturais.
Surpreendentemente, estes trabalhadores, são brutalmente atacados pelo governo, com ajuda dos Estados Unidos, acusados de estarem gerando uma produção de Cocaína.
Nada fora provado, no entanto, os EUA, o maior consumidor de cocaína, digo de Coca-Cola, fora até a Bolívia enviar seu exército para metralhar alguns Cocaleiros. Afinal como manda a boa cultura norte-americana, melhor exterminar o país antes que ele apresente algum risco.



Para hoje me sobrara ainda o filme Olho de Boi, todavia as inúmeras críticas sobre ele, me instigam a um texto só para o filme.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

VERDADE

Hoje divagando sobre a situação do cinema, da televisão ou dos meios de comunicação em si, eu confesso que surtei de certa forma tentando entender qual o real sentido disto tudo. Concordo que em partes, todos precisamos das artes e dos meios de comunicação para levarmos a vida com mais tranqüilidade. Mas de fato, temos este direito e esta comodidade apenas pelo fato de que nos encaixamos em uma minoria da sociedade, que pode divagar sobre problemas sociais enquanto os demais estão correndo perigo.

Esta primeira divagação me surgiu após assistir um filme sobre as mortes na África, tudo bem, é fácil dormir e fingir que é muito longe e nada pode ser feito. Contudo, após assistir ao filme Uma verdade inconveniente, me questionei, e conclui que não podia tratar-se apenas de uma ignorância coletiva e uma incapacidade de fazermos algo. Trata-se do fato, de que os meios de comunicação não são usados em prol dos bens comuns.

A maioria das pessoas que lerem isso, podem me taxar de falso moralista ou coisas do tipo, porém, sem apresentar sobre o que trata o filme eu já teria certeza que as que descordarem de mim já são ignorantes o suficiente, para se quer interessarem-se por ver o filme.

Lógico que as artes e o entretenimento devem existir, mas questionar-se às vezes, se elas estão sendo feitas de forma certa era o que qualquer pessoa inteligente deveria fazer.

Por enquanto ainda tratam-se de minorias, mas quando o caos tornar-se coletivos, ao menos terei de quem rir.

Portanto os idiotas, que sigam ao próximo fotolog/blog, os que tiverem algum interesse em cultura assistam ao filme:

UMA VERDADE INCONVENIENTE.

Como já diz o nome do filme, não é mesmo?

quinta-feira, 21 de junho de 2007

"AUTISMO"



Numa bela manhã, um homem que tomava seu café olhou para fora da janela e viu - quem dera! - um unicórnio branco, com um chifre dourado, mascando tranqüilamente as rosas de seu jardim. No conto do autor americano James Thurber, esse senhor foi então acordar sua mulher e disse: "Tem um unicórnio no jardim, comendo nossas rosas". Irritada, ela retrucou: "Unicórnio é um animal mítico". E, virando-se para o outro lado, voltou a dormir. Intrigado, o marido caminhou lentamente até o jardim. O unicórnio estava ali, beliscando suas tulipas. "Aqui, unicórnio", chamou ele, oferecendo um lírio, que o animal comeu solenemente.

Com o coração saltitante - obviamente, porque afinal de contas havia um unicórnio em seu jardim -, o camarada foi novamente despertar sua mulher. "O unicórnio comeu um lírio", anunciou ele. Só que agora ela ficou realmente irritada. "Você é um demente, e eu vou te internar no manicômio!" O marido, que nunca apreciou muito a idéia de manicômios - especialmente num dia tão lindo, com um unicórnio em seu jardim -, refletiu por um momento e disse: "Isso é o que veremos". Mas antes de descer as escadas, completou: "E ele tem um chifre dourado no meio da testa".

Ao chegar novamente ao jardim, o unicórnio já havia ido embora. O homem se sentou em meio às rosas e adormeceu. Sua mulher se vestiu rapidamente. Ela estava bastante irritada e regozijava-se por ter a chance de pegar seu ridículo marido. Ligou para a polícia e depois para o psiquiatra, instruindo-os para que chegassem logo com uma camisa-de-força. Quando chegaram, ela, já muito agitada, foi logo dizendo: "Meu marido viu um unicórnio hoje de manhã!".O policial e o psiquiatra se entreolharam, descrentes. "Ele me disse que o unicórnio havia comido um lírio", continuou ela. De novo, psiquiatra e policial trocaram um olhar suspeitoso. "E também disse que o bicho tinha um chifre dourado no meio da testa!", insistiu mais uma vez. Subitamente, o policial e o psiquiatra levantaram de suas poltronas e agarraram-na. Ela resistiu violentamente, mas no final eles conseguiram dominá-la e enfiaram-na numa camisa-de-força. Foi nesse momento que o marido entrou, chegando do jardim. "Você por acaso disse a sua mulher que viu um unicórnio?", perguntou-lhe ceticamente o policial. "O unicórnio é um animal mítico", respondeu seriamente o marido. "Isso era tudo o que precisávamos saber", replicou o psiquiatra. "Estamos internando sua mulher, ela surtou de vez." Chutando e berrando, ela foi levada ao manicômio para exames. E que fim teve o marido? Viveu feliz para sempre, concluiu Thurber.


E quanto a nós? Será que estamos vivendo felizes para sempre? Ou estamos nos confinando nas camisas-de-força do racionalismo intelectual? Vivendo quase entorpecidos por uma tecnologia cada vez mais utilitária, será que não estamos perdendo o espírito de deslumbramento e encantamento?

A fantasia não é um escapismo. É uma ferramenta crítica para desenvolver pensamento divergente e competência na resolução de problemas, explica a pesquisadora Sandra Russ, da Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos. "Pensamento divergente é a habilidade de gerar diferentes idéias sobre determinado tópico. Ele permite que as pessoas se tornem mais aptas a solucionar problemas e mais capazes de lidar com estresse e adversidade", diz.

Como poderemos sobreviver sem fantasia num mundo cada vez mais desprovido de magia e acolhimento? Será que, contrariamente ao conto de fadas, somos príncipes e princesas nos transformando em sapos?

Espero que, quando você acorde amanhã e olhe pela janela, veja um unicórnio em seu jardim. E eu espero ver um também.






terça-feira, 19 de junho de 2007

Running

Sabe, quando em meio a multidão você só se confunde com os demais. Não difere em nada, e mesmo que tenha os maiores problemas do mundo. Além de palavras de conforto, nada mais pode ser feito. É quando a percepção de o quão sozinhos e quão dependentes somos nos vem num lapso. É só esperar, pelo resto.


sexta-feira, 15 de junho de 2007

Acordei eram dez horas da noite. Tinha sido um dia cansativo, quente, intediante. Eu havia perdido a aula, não tinha feito meus trabalhos, ainda me sentia um pouco enjoado da bebida da noite anterior. Pensei no que havia ocorrido durante a tal festa da noite passada. Não me lembrava de nada. Um pouco suado tomei coragem e levantei-me da minha cama, só de cueca fui até o banheiro. Não havia ninguém em casa, o cachorro pulava nas minhas pernas. Fui até a sala liguei o som alto, não me lembro ao certo à música, mas era algo entre rock e música clássica. Em direção ao banheiro me vinham pequenas lembranças da noite anterior, algumas pessoas rindo, outras vomitando, mas ao certo não sabia de verdade o que havia acontecido. Antes de entrar no banheiro ainda passei em meu quarto, dei uma olhada no celular. Ninguém havia me ligado. Fui para o banho. Frio. Fiquei ali sentado por uma meia hora, senti me enjoado. Enfiei o dedo na garganta, mas não adiantou, segui sentindo me mal. Sentei-me no Box e deixei a água cair. Depois de um tempo desliguei a água. Sai do chuveiro e, ainda molhado fui em direção ao meu quarto. Vesti uma samba canção, uma bermuda velha e deitei-me novamente. O quarto estava escuro, o calor continuava infernal. Pensei então em ligar para algum amigo, mas um cigarro pareceu me mais interessante. Fiquei ali, deitado, fumando. De repente tocou meu celular, era um número desconhecido. Naqueles pequenos segundos enquanto o celular tocava me vieram pensamentos do tipo: “será alguém chato que está me procurando, ou, pode ser alguém que eu nem conheça, mas que eu possa marcar um encontro pelo celular”. Acabei não atendendo. Desliguei o telefone e fui até a cozinha. Havia na geladeira apenas alguns restos de comida, frutas, leite, mas nada que parecesse interessante. Peguei um copo enchi de gelo e fui até a sala. Uma dose de Whisky, era disto que eu precisava. Sentei me na sacada, olhava algumas pessoas passando na rua e vagava em pensamentos tais como: olha que bunda, que roupa mais brega, que inveja, que nojo. Não fiquei ali sentado nem quinze minutos. O gelo todo já havia derretido. Num só gole, então, tomei o que restava no copo. Passando pela sala, olhei por cima da mesa para ver se não encontrava as chaves do carro. Não encontrei. Minha mãe havia saído. Havia apenas um bilhete dizendo:

- Sai para jantar com algumas amigas. Tem dinheiro para você no meu quarto, no lugar de sempre.

Coloquei o bilhete em cima da mesa e imaginei por breves instantes como seria uma reunião de amigas. Quando voltei deste pequeno pensamento, já me dirigia ao quarto de minha mãe. Chegando lá havia dez reais em cima da cama. Irritado pela escassez de dinheiro fui até o meu quarto, liguei meu celular e disquei para minha mãe. Ela atendeu o celular dizendo algo como:

- Meu filho tudo bem?

Respondi meio irritado:

- Lógico que não. O que você espera que eu faça com dez reais?

Ela então disse que havia me ligado algum tempo atrás para me entregar mais dinheiro e que eu não havia atendido, mas agora infelizmente ela já havia ido para outra cidade com suas amigas. Desliguei o telefone na cara dela. No meu quarto ainda irritado abri minha carteira de cigarros, havia apenas mais um. Naquela altura eu só queria voltar a dormir, mas era sábado, já passava da meia noite, precisava fazer algo, beber, fumar, transar, só não queria ficar em casa. Liguei para um amigo, nem lembro qual, só disquei para um dos primeiros números da minha agenda, juro, que na hora cheguei a pensar, que se o número estava no início, no mínimo era por que devia ser importante. O nome era Alex, realmente não lembro hoje de nenhum amigo com este nome. Quem atendeu foi uma garota, que só disse que ele não podia falar no momento.

Já irritado apenas vesti uma roupa qualquer. Calcei meus tênis, peguei celular, carteira chave essas coisas, e fui para a sala. Lá, antes de sair, catei umas moedas que dariam para o cigarro. Sai do apartamento e peguei o elevador. Morava no décimo quinto andar. Descendo o elevador, fiquei apenas pensando no que poderia fazer, aonde ir. O elevador então para no oitavo andar interrompendo meus pensamentos. Entra um senhor de meia idade e noto que ele fica me olhando. Fiquei com muito nojo. Mas resolvi aproveitar-me da situação. Cumprimentei-o, dei um sorriso envergonhado e perguntei para onde ele ia. Ele se achando o dono da situação disse que ia sair para agarrar umas gatas e tomar uma cerveja. Perguntei então, se não podia dar-me uma carona para qualquer lugar, só não queria fica ali. O velho prontamente respondeu que sim. No caminho conversamos sobre tabus: sexo, mulheres e futebol. Paramos em um posto de gasolina, dando a desculpa de que minha mãe havia viajado e de que tinha ficado sem dinheiro pedi-lhe que me pagasse alguma bebida e comprasse-me um cigarro, novamente o velho sem hesitar atendeu ao meu pedido. Á essa altura eu só me divertia, o velho parecia querer pular em cima de mim e eu seguia fingindo-me de inocente. Sugeri então que fossemos a um lugar onde serviam uma comida ótima e onde havia garotas dançando. Chegando lá comi algo do tipo: caviar, lagosta, não lembro. Não lembro na verdade nem de haver gostado, mas era o prato mais caro do lugar. Por volta de uma e meia da manhã o velho já estava muito bêbado e não parava de colocar dinheiro no sutiã das dançarinas, enquanto, fingindo que nada acontecia, passava as mãos por minhas pernas embaixo da mesa. Nesta hora vi que tinha que ir embora, ou dar um jeito de me livrar daquele cara. Pedi então mais uma dose de uma bebida que parecia muito forte e fiz com que o velho bebesse. Antes mesmo de a dose acabar ele já estava quase desmaiado. Pedi então para uma das dançarinas que o levasse para um quarto e que, por favor, tirasse a roupa dele. Peguei a carteira do bolso dele, paguei o que havíamos bebido e peguei para mim mais uns cem reais. Pouco dinheiro perto do que havia sobrado na carteira do velho. Pedi a garota então que lhe dissesse que tive que sair mais cedo e lhe entregasse a carteira e um bilhete agradecendo-o pela noite maravilhosa. Sai do lugar esse e dirigi-me a um bar ali perto onde parei para tomar uma cerveja e pensar o que poderia fazer agora que tinha dinheiro. Enquanto tomava minha cerveja me liga uma garota dizendo que quer fazer algo, que está louca por mim, e que precisa me ver. Não deu outra, peguei um táxi até um endereço qualquer que ela me deu. No caminho, passando perto da boate que havia estado com o velho vi o carro batido e a polícia em volta cobrando explicações do meu vizinho que parecia, agora, muito nervoso. Fiquei rindo de dentro do táxi sabendo que ele não poderia dizer nada sobre mim, pois estaria se prejudicando.

O táxi andou um tempo, enquanto isso eu apenas observava algumas pessoas nas ruas. Todas se drogando, prostituindo-se. Sem ironias, aquilo me enojava. O táxi parou então em frente á um bar sujo, velho e cheio de pessoas, bar esse, que se encontrava em meio a uma sucessão de mais uns trinta barzinhos iguais. Meio perdido sem nem saber ao certo quem encontraria, sentei-me e acendi um cigarro. Repentinamente uma garota senta no meu colo e começa a beijar-me. Eu sem reação, apenas deixei rolar. Depois de um tempo ela parou. Olhei fundo nos olhos dela. Inebriado do álcool demorei a conhecer. Mas não havia erro. Era a namorada do meu irmão. Ela me olhava. Eu apavorado a empurrei e gritei. Ela disse para ficar calmo, e que sempre gostou de mim, que iria terminar com meu irmão. Fiquei transtornado e sai caminhando na multidão pensando no que havia feito. Havia passado todo o efeito do álcool. Agora só pensava no que dizer para o meu irmão. Caminhava rápido e sem olhar para os lados, apenas rápido sem saber para aonde ia. Imaginava alguma explicação sensata. Mas algo do tipo:

- Ela me agarrou, não foi culpa minha, não parecia muito sensato naquela hora.

Entre meus devaneios e pensamentos esbarro em alguém e apenas sinto a cerveja escorrendo na minha roupa. Sem raciocinar, já morrendo de raiva, num impulso instantâneo, acertei um soco na cara do garoto que havia esbarrado em mim. Nisso, alguns caras de trás vieram para cima dele, outros para cima de mim e perdido já naquela briga toda, apenas distribui alguns socos e consegui sair sem machucar-me. Já perto das quatro da manhã, desistindo da noite fracassada, resolvo ir a uma lancheria. Entrando lá, vou direto ao banheiro, onde tenho que urinar em uma lata de lixo, pois a privada está estragada. Na verdade não lembro nem o por que de ter entrado naquela lancheria. Apenas entrei, pois parecia tranqüila, e era isso que eu precisava: tranqüilidade.

Saindo do banheiro vejo meu irmão e a namorada entrando na lancheria. Eu tento fingir que não os vi. Mas meu irmão veio direto em minha direção me abraçando e dizendo que eu andava sumido, essas coisas. Eu apenas retribui com um sorriso nervoso e envergonhado. Ele então me convidou para sentar e comer algo, eu cheio de desculpas tentei fazer de tudo para não ficar, mas acabei cedendo. Sentamos. Eles pediram um refrigerante, e eu, naquela hora, precisava tomar mais uma cerveja. Alguns minutos ali sentados chega uma garota muito linda e senta-se com a gente. Era uma amiga do meu irmão. Somos apresentados, e novamente envergonhado, mas não tão nervoso retribuo o sorriso. Conversa vai, conversa vem comecei a ficar mais tranqüilo. Tudo parecia normal, e não tinha o por que do meu irmão saber do ocorrido. Na mesa, Débora, namorada de meu irmão estava sentada ao meu lado, Roger meu irmão estava na frente dela e Lívia, aquela garota linda, que me tinham apresentado estava sentada na minha frente. Pedi mais uma cerveja, ríamos todos, estava divertido, Lívia e eu trocávamos olhares, lembro que na hora eu pensava que mais alguns instantes ali e eu a levaria para a cama. A garçonete passa. Por alguns instantes olhei para aquela figura. Ela estava cansada. Carregava uma grande quantidade de pedidos. Não me lembro nem ao certo o motivo de ter me abstraído da conversa por completo, mas por alguns instantes aquela garçonete me parecera mais interessante. Em meio aquele monte de pedidos caíra um guardanapo no chão quase que em câmera lenta, ou talvez no tempo em que duravam meus pensamentos. Abaixei-me para pegar. Outro instante de eterno durar. Em baixo da mesa aquela menininha perfeita: Lívia. Estava com as mãos dentro da calça do meu irmão. Novamente me subiu um enjôo e apenas sai correndo para o banheiro onde vomitava naquela privada imunda com excrementos de outras pessoas. Lembro-me de na hora nem sentir me mal em relação à bebida, mas o fato de ter visto aquela cena realmente me tinha feito vomitar. Enquanto pensava logo os três apareceram. Débora segurava minha cabeça e cuidava para que eu não me sujasse. Lívia e meu irmão apenas olhavam. Entre vômitos e pensamentos lembro-me apenas de mais uma cena dentro da lancheria. Quando começava a recuperar-me olhei para trás para ver quem estava ali. Enquanto Débora segurava meu cabelo atenciosamente, a única coisa que me recordo de ter visto foi à mão de meu irmão passando por dentro da saia de Lívia. Voltei a vomitar. Quando acordei estava dentro de uma ambulância. Olhei em volta, não havia ninguém. Lembro que a luz me parecia muito forte, resolvi então fechar os olhos. No caminho para o hospital recordo-me de que sentia cada curva que a ambulância fazia, escutava algumas pessoas sentadas na frente conversando sobre alguma final de campeonato e de sentir uma dor em meu braço. Tentei olhar o que havia em meu braço. Desisti. Sabia que era uma agulha. Voltei a dormir. Perto das sete da manhã acordei em um leito de hospital onde havia no mínimo mais umas quinze pessoas num espaço de dez metros quadrados. Chamei aquilo que parecia ser uma enfermeira. Ela veio até mim. Perguntei-a se poderia me dar alta. Ela riu. E lembro me perfeitamente de ter dito rindo:

- Com o que eu ganho, dando alta. Eu sou uma simples auxiliar.

Mas devido ao fato da superlotação e de eu já estar me sentindo bem, apenas assinei alguns papéis e sai daquele lugar. Nos corredores do hospital amontoavam-se pessoas de todos os tipos. Por instante pude ver o garoto que me derramara cerveja, deitado em uma das macas, bastante machucado. Senti me envergonhado. Mas segui caminhando pelo corredor. O hospital parecia interminável, quanto mais eu caminhava mais pareciam aumentar os gritos e aglomerações. De repente. A porta. Ao sair na rua o mundo parecia ter parado por alguns instantes. Tudo ficou mais tranqüilo, mesmo que por breves instantes. A esta altura eu só queria voltar pra casa. Peguei um táxi. Foi outra daquelas viagens. Mas agora, aquelas pessoas na rua, pareciam me respeitosas, pois, ao contrário de meu irmão, minha cunhada, Lívia, meu vizinho e inclusive de mim elas estavam ali e todos sabiam o que estavam fazendo. Senti me um hipócrita. Nesta hora sim, só queria a minha cama. Chegando no meu apartamento paguei o taxista. Desci do carro e fui em direção ao portão do prédio. Não sei ao certo que horas eram, mas lembro me de ter visto o velho meu vizinho saindo com seu outro carro e despedindo-se feliz da esposa. Subi no elevador. Parei no meu andar. Abri a porta. Em direção ao meu quarto, passo pelo do meu irmão, onde com a porta entreaberta posso vê-lo transando com sua namorada. Um pouco decepcionado, vou para o meu quarto. Acendo um último cigarro e me deito em minha cama. Algumas cinzas caem no chão. Alguns raios de sol entram pelo quarto. Alguns carros começam a trafegar nas redondezas do prédio. O dia está começando e tudo tem que voltar ao normal. Só me lembro então de ter acordado perto de dez da noite novamente.







Nâo há muito mais o que dizer, a libido e a falta de carater exalam do meu ser. Só depressão não me basta. O lado podre fica guardado.
Hoje veio.
^^

quarta-feira, 13 de junho de 2007

In the light of the sun, is there anyone?

Oh it has begun...
Oh dear you look so lost...
Eyes are red and tears are shed
The world you must've crossed, you said






Parece tão infantil tentar dizer qualquer coisa, que as vezes eu queria apagar tudo, mas acho que no fundo trata-se disso. Quando nos expomos de forma excessiva como a internet incute, estamos apenas entregando ao deleite dos demais o quão normais somos. Não passa apenas de ser mais um, mas todos são mesmo.

Eu queria ser criativo e entreter todos. Talvez esse seja o meu jeito.
=)