Após uma semana intensa, repleta de inúmero debates, conversas, conhecendo novas pessoas, eu tive algum tempo de reflexão e percebi como é escassa a oportunidade de assistir e de ter contato com filmes e cineastas de influência, atualmente, no país.
É como estar um pouco a margem Infelizmente, por não estarmos no foco cinematográfico, deixamos passar muito do que é o atual cinema brasileiro.
Assim sendo, venho aqui demonstrar minha surpresa com a qualidade de parte dos filmes atuais que vem sendo realizado, dentre eles os selecionados no Festival de Cinema De Gramado.
Todavia, minha maior dúvida é após assistir esse filmes, tentar criticar, e talvez não demonstrar o mínimo embasamento para poder julgá-los. Terei eu lido os livros que devia, visto os filmes certos, para poder julgar de forma tão rude?
Não sei de fato se é injustiça pela incapacidade crítica, ou um mérito por estar julgando como mero espectador, deixando fluir o que há de empírico, sentimental.
Olho de Boi, portanto, na seqüencia dos filmes analisados, surge com uma temática diferenciada, ainda que manjada. É a clássica história de Édipo Rei, transposta para o interior de Minas Gerais, com um sotaque indefinido de um nordeste em qualquer lugar do país.
A cena inicial do filme já instiga ainda que estranhe o espectador.
É uma imagem de tio e sobrinho, futuramente explicitados como pai e filho, no olho de um boi.
Já de início o mal gosto estético surge num efeito digital de inserir a imagem no olho do boi.
Após isso vamos então para o abate. O boi, morre em meio a uma imensidão branca, na qual apenas ouvimos seu grito de dor em mistura ao som de trovões, somos então conduzidos por um fade, diretamente a uma tempestade, onde os personagens Modesto(Pai, e Padrinho) e Cirineu(Filho e Afilhado), andam pela mata procurando por um lugar para habitar.
Devido à forte tempestade, os personagens se vêem frente a uma igreja, e acabam obrigando-se a entrar no lugar. Lá sabemos das intenções dos personagens, e descobrimos que Modesto pretende matar seu irmão, pois seu afilhado Cirineu, garante a traição do irmão.
Aí então estamos postos dentro da estética, da história e da proposta do diretor.
É uma peça teatral, com diálogos pesados e discussões encenadas que dão lugar a narrativa. A arte passa então a exercer uma função também teatral, uma fotografia que desliga o espectador e planos maçantes, que não fora a proposta, apenas entediariam mais o espectador.
Creio que na verdade esta é minha opinião. Reconheço que como proposta estética, pode-se até procurar algum recurso interessante de linguagem que talvez convença algum tolo. No entanto, acabaria por enquadrar este filme na lista das tentativas inóspitas.
Há uma tentativa grandiosa de compor bons quadros, mas à todo momento há a impressão de que um fresnel entrará em quadro, de que uma vela, não teria tamanha incidência de luz. A fotografia é mais que teatral, é de mal gosto. Proposta estética, normalmente termina por explicitar-se, mas neste caso é uma tentativa de fazer algo bom, da pior forma possível.
No caso da arte, aí então me surgem mais dúvidas. Após dois minutos dentro da igreja, fugidos de uma tempestade muito forte, os personagens estão completamente secos. Alguns novamente podem dizer ser a proposta na minha opinião, desleixo.
Nesse ritmo segue o filme todo, luzes inverossímeis, que desligam o espectador da narrativa. Uma arte buscando ser verossímil, mas que peca a cada quadro.
O diálogo, quase insustentável, não fora a atuação dos personagens é que permite algum valor ao filme.
As atuações parecem ser o único viés aceitável do filme, não fora por Gustavo Machado (melhor-ator no festival de gramado), e pelo ator Genésio de Barros, a história seria inviável. O final ainda que surpreendente e instigante não compensa pela inconsistência geral da obra.
Uma opinião talvez um pouco exagerada, mas na minha opinião, exagero por exagero, maior seria fazer um filme tão impreciso para público algum.
Talvez uma peça teria sido mais assistida.
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
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Um comentário:
bons tempos.
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