O dia começou com o céu. Analogias a partes, lá estava o filme O céu de Suely, infelizmente apenas na mostra, sem entrar em competição.
Venéreo, tocante, intrínseco. O drama de uma garota pobre que está voltando de São Paulo, para sua cidade de origem no interior do recife e é abandonada pelo namorado, que promete voltar consigo para sua cidade e acaba deixando-a sozinha cuidando de uma filha.
Suely é apenas um nome inventado pela personagem Hermila, que pela falta de dinheiro, vende uma rifa oferecendo-se como recompensa.
Difícil para mim, nessas ocasiões, é descrever ou elogiar o filme sem parecer piegas.
Sendo incoerente, deixo me entregar ao puro deleite estético, e nego me a procurar algo no filme que o desmereça como obra.
É incondizente não perceber no filme, sua simplicidade, sua arte quase neo-realista, a fotografia árida, a direção tão bem composta que surge quase imperceptível.
Talvez alguns achassem conivente negar todos estes pressupostos, e dizer que é um filme comum, que volta mais uma vez a pobreza nordestina e tenta publicizar a desgraça brasileira.
No entanto, isso apenas representaria a ignorância atual da distribuição no Brasil. É a estúpida tendência de tentar inovar em linguagem e narrativa, quando não há se quer um cinema sendo feito, quem o diga assistido.
Uma última pausa antes de ar vazão aos demais filmes, preciso realçar a inteligência do drama no filme mencionado e a capacidade de atuação da atriz de mesmo nome, Hermila Guedes.
Uma boa cena de drama, poderia incentivar ao melodrama do pior tipo, mas quando nos pegamos chorando, as lágrimas, enquanto a atriz come um prato de macarrão, sabemos de fato que o diretor sabe, como conduzir o espectador ao extremo de sua essência, ou no mínimo saímos nos sentindo um pouco idiotas tentando esconder a cara de choro.
Um filme chocante da forma mais simple possível, uma imensidão de escolhas sem retorno, de decisões com consequências desmedidas, o tipo de filme que te causa aquela sensação besta de olhar os créditos até o fim, e se enxergar olhando para a tela branca, chocado com tamanha inteligência.
Em seguida veio o "Cocalero", o segundo filme do dia. Um documentário inocente, sem pretensões. O documentário mostra a vida dos Cocaleros na Bolívia e de como o índio Evo Morales, chegou a presidência do país.
É um documentário, com um viés mais televisivo, apelativo em alguns momentos, mas que ainda assim, gera interesse, devido a parcialidade do filme.
Em momento algum tempos picos de incentivo socialista, tanto quanto não beneficia-se a direita.
É uma documentação de um povo que lutou por seus direitos, mas que apresentava riscos devido a sua ignorância.
Algumas partes são surpreendentes, como quando temos uma classe média discursando contra o candidato Evo. Este momento beira a graça, pois, representa a ignorância que só mesmo a classe média possui, a de ainda confiar nos poderosos, e achar que os pobre são ruins. É aquele momento, onde o cidadão médio cegado pelas 10 horas de trabalho diário e um salário medíocre, acredita que o presidente está ao seu lado, ou se não esta, não tivera, poderia ser pior.
Todavia, há os momentos onde entregar a presidência á um Índio soa alarmante, a governadora do partido, sabia se quer trabalhar com uma calculadora.
Evo é o atual presidente da Bolívia e institui algumas leis que subsidiam o aproveitamento das leis naturais da Bolívia e têm gerado uma diversidade de empregos. Cá, com o homem de nove dedos, não temos dado muito certo.
Acabei me pendendo pro lado político, e acabei por não mencionar que o filme chama-se "Cocalero", pois fala de uma imensidão de trabalhadores que trabalham, com a folha de Coca e vendem-a para a fabricações, de ervas, remédios e produtos naturais.
Surpreendentemente, estes trabalhadores, são brutalmente atacados pelo governo, com ajuda dos Estados Unidos, acusados de estarem gerando uma produção de Cocaína.
Nada fora provado, no entanto, os EUA, o maior consumidor de cocaína, digo de Coca-Cola, fora até a Bolívia enviar seu exército para metralhar alguns Cocaleiros. Afinal como manda a boa cultura norte-americana, melhor exterminar o país antes que ele apresente algum risco.
Para hoje me sobrara ainda o filme Olho de Boi, todavia as inúmeras críticas sobre ele, me instigam a um texto só para o filme.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
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Um comentário:
não vou ler agora porque ainda nõa vi o céu de suely e tou louco pra ver
louco mesmooooooooo
daí sim comento, ok???
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