quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Olho de Boi

Após uma semana intensa, repleta de inúmero debates, conversas, conhecendo novas pessoas, eu tive algum tempo de reflexão e percebi como é escassa a oportunidade de assistir e de ter contato com filmes e cineastas de influência, atualmente, no país.
É como estar um pouco a margem Infelizmente, por não estarmos no foco cinematográfico, deixamos passar muito do que é o atual cinema brasileiro.
Assim sendo, venho aqui demonstrar minha surpresa com a qualidade de parte dos filmes atuais que vem sendo realizado, dentre eles os selecionados no Festival de Cinema De Gramado.

Todavia, minha maior dúvida é após assistir esse filmes, tentar criticar, e talvez não demonstrar o mínimo embasamento para poder julgá-los. Terei eu lido os livros que devia, visto os filmes certos, para poder julgar de forma tão rude?
Não sei de fato se é injustiça pela incapacidade crítica, ou um mérito por estar julgando como mero espectador, deixando fluir o que há de empírico, sentimental.


Olho de Boi, portanto, na seqüencia dos filmes analisados, surge com uma temática diferenciada, ainda que manjada. É a clássica história de Édipo Rei, transposta para o interior de Minas Gerais, com um sotaque indefinido de um nordeste em qualquer lugar do país.
A cena inicial do filme já instiga ainda que estranhe o espectador.
É uma imagem de tio e sobrinho, futuramente explicitados como pai e filho, no olho de um boi.
Já de início o mal gosto estético surge num efeito digital de inserir a imagem no olho do boi.
Após isso vamos então para o abate. O boi, morre em meio a uma imensidão branca, na qual apenas ouvimos seu grito de dor em mistura ao som de trovões, somos então conduzidos por um fade, diretamente a uma tempestade, onde os personagens Modesto(Pai, e Padrinho) e Cirineu(Filho e Afilhado), andam pela mata procurando por um lugar para habitar.
Devido à forte tempestade, os personagens se vêem frente a uma igreja, e acabam obrigando-se a entrar no lugar. Lá sabemos das intenções dos personagens, e descobrimos que Modesto pretende matar seu irmão, pois seu afilhado Cirineu, garante a traição do irmão.
Aí então estamos postos dentro da estética, da história e da proposta do diretor.
É uma peça teatral, com diálogos pesados e discussões encenadas que dão lugar a narrativa. A arte passa então a exercer uma função também teatral, uma fotografia que desliga o espectador e planos maçantes, que não fora a proposta, apenas entediariam mais o espectador.
Creio que na verdade esta é minha opinião. Reconheço que como proposta estética, pode-se até procurar algum recurso interessante de linguagem que talvez convença algum tolo. No entanto, acabaria por enquadrar este filme na lista das tentativas inóspitas.
Há uma tentativa grandiosa de compor bons quadros, mas à todo momento há a impressão de que um fresnel entrará em quadro, de que uma vela, não teria tamanha incidência de luz. A fotografia é mais que teatral, é de mal gosto. Proposta estética, normalmente termina por explicitar-se, mas neste caso é uma tentativa de fazer algo bom, da pior forma possível.
No caso da arte, aí então me surgem mais dúvidas. Após dois minutos dentro da igreja, fugidos de uma tempestade muito forte, os personagens estão completamente secos. Alguns novamente podem dizer ser a proposta na minha opinião, desleixo.
Nesse ritmo segue o filme todo, luzes inverossímeis, que desligam o espectador da narrativa. Uma arte buscando ser verossímil, mas que peca a cada quadro.
O diálogo, quase insustentável, não fora a atuação dos personagens é que permite algum valor ao filme.
As atuações parecem ser o único viés aceitável do filme, não fora por Gustavo Machado (melhor-ator no festival de gramado), e pelo ator Genésio de Barros, a história seria inviável. O final ainda que surpreendente e instigante não compensa pela inconsistência geral da obra.

Uma opinião talvez um pouco exagerada, mas na minha opinião, exagero por exagero, maior seria fazer um filme tão impreciso para público algum.
Talvez uma peça teria sido mais assistida.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Suely Y Evo

O dia começou com o céu. Analogias a partes, lá estava o filme O céu de Suely, infelizmente apenas na mostra, sem entrar em competição.
Venéreo, tocante, intrínseco. O drama de uma garota pobre que está voltando de São Paulo, para sua cidade de origem no interior do recife e é abandonada pelo namorado, que promete voltar consigo para sua cidade e acaba deixando-a sozinha cuidando de uma filha.
Suely é apenas um nome inventado pela personagem Hermila, que pela falta de dinheiro, vende uma rifa oferecendo-se como recompensa.
Difícil para mim, nessas ocasiões, é descrever ou elogiar o filme sem parecer piegas.
Sendo incoerente, deixo me entregar ao puro deleite estético, e nego me a procurar algo no filme que o desmereça como obra.
É incondizente não perceber no filme, sua simplicidade, sua arte quase neo-realista, a fotografia árida, a direção tão bem composta que surge quase imperceptível.
Talvez alguns achassem conivente negar todos estes pressupostos, e dizer que é um filme comum, que volta mais uma vez a pobreza nordestina e tenta publicizar a desgraça brasileira.
No entanto, isso apenas representaria a ignorância atual da distribuição no Brasil. É a estúpida tendência de tentar inovar em linguagem e narrativa, quando não há se quer um cinema sendo feito, quem o diga assistido.
Uma última pausa antes de ar vazão aos demais filmes, preciso realçar a inteligência do drama no filme mencionado e a capacidade de atuação da atriz de mesmo nome, Hermila Guedes.
Uma boa cena de drama, poderia incentivar ao melodrama do pior tipo, mas quando nos pegamos chorando, as lágrimas, enquanto a atriz come um prato de macarrão, sabemos de fato que o diretor sabe, como conduzir o espectador ao extremo de sua essência, ou no mínimo saímos nos sentindo um pouco idiotas tentando esconder a cara de choro.
Um filme chocante da forma mais simple possível, uma imensidão de escolhas sem retorno, de decisões com consequências desmedidas, o tipo de filme que te causa aquela sensação besta de olhar os créditos até o fim, e se enxergar olhando para a tela branca, chocado com tamanha inteligência.



Em seguida veio o "Cocalero", o segundo filme do dia. Um documentário inocente, sem pretensões. O documentário mostra a vida dos Cocaleros na Bolívia e de como o índio Evo Morales, chegou a presidência do país.
É um documentário, com um viés mais televisivo, apelativo em alguns momentos, mas que ainda assim, gera interesse, devido a parcialidade do filme.
Em momento algum tempos picos de incentivo socialista, tanto quanto não beneficia-se a direita.
É uma documentação de um povo que lutou por seus direitos, mas que apresentava riscos devido a sua ignorância.
Algumas partes são surpreendentes, como quando temos uma classe média discursando contra o candidato Evo. Este momento beira a graça, pois, representa a ignorância que só mesmo a classe média possui, a de ainda confiar nos poderosos, e achar que os pobre são ruins. É aquele momento, onde o cidadão médio cegado pelas 10 horas de trabalho diário e um salário medíocre, acredita que o presidente está ao seu lado, ou se não esta, não tivera, poderia ser pior.
Todavia, há os momentos onde entregar a presidência á um Índio soa alarmante, a governadora do partido, sabia se quer trabalhar com uma calculadora.
Evo é o atual presidente da Bolívia e institui algumas leis que subsidiam o aproveitamento das leis naturais da Bolívia e têm gerado uma diversidade de empregos. Cá, com o homem de nove dedos, não temos dado muito certo.
Acabei me pendendo pro lado político, e acabei por não mencionar que o filme chama-se "Cocalero", pois fala de uma imensidão de trabalhadores que trabalham, com a folha de Coca e vendem-a para a fabricações, de ervas, remédios e produtos naturais.
Surpreendentemente, estes trabalhadores, são brutalmente atacados pelo governo, com ajuda dos Estados Unidos, acusados de estarem gerando uma produção de Cocaína.
Nada fora provado, no entanto, os EUA, o maior consumidor de cocaína, digo de Coca-Cola, fora até a Bolívia enviar seu exército para metralhar alguns Cocaleiros. Afinal como manda a boa cultura norte-americana, melhor exterminar o país antes que ele apresente algum risco.



Para hoje me sobrara ainda o filme Olho de Boi, todavia as inúmeras críticas sobre ele, me instigam a um texto só para o filme.